ampliar28/11/2008 00:11A casa do Amor PrimeiroTemos tantas coisas para lhe contar... Mas como fazer com que as letras suportem todas as emoções de cada detalhe do que vimos? Pedras, paus, árvores, flores, ondas, nuvens, cachorrinhos, areia – seu nome escrito nela –, um castelo para coelhos com porta de cenoura, crianças, luzes, um pouquinho, só um pouquinho de sol... Viu? Virou somente uma lista de objetos pálidos, aqui sem alma, lá tão cheios de vida. O mais gostoso de tudo é mesmo essa coisa do sentir. Não se pode sentir sempre, desse jeito, em qualquer lugar do universo. Para sentir é preciso existir. Isso é velho por aqui nas idéias alinhavadas por filósofos. Só se sente desse jeito: existindo nas ruas, nas praias, nas casas, nas lojas, nas cabanas ou palácios... Logo, quem sente existe, ou pensa que existe enquanto sente. E quem diz que não sente? Não existe? Não, mente. Tudo por aqui sente – e se sente. “Sinto, logo existo”, seria um axioma interessante para explicar os humanos; eles preferem, porém, algo mais pragmático, como “penso, logo existo”. Sente-se, portanto, em pensamento para que se possa existir; ou pensa-se em sentimento para que a existência se torne possível; ou se sente o pensamento para que o pensamento sinta que ambos existem, o sentimento e o pensamento. Pensando assim, poderíamos continuar a blasfemar infinitamente. Não chegaríamos, porém, nem perto, com essa brincadeira, da verdadeira brincadeira do sentir que não consigo pôr em letras para que você entenda a complexidade destas terras, cuja descrição se torna irrelevante se não tenho como insuflar todas essas linhas de sentimentos, de emoções. Irrelevância, aliás, ocupa boa parte do que se sente e do que se pensa durante toda uma existência por aqui. Que não nos ouçam, ou que não nos leiam, do contrário, nos perguntariam: “Qual garantia podem nos dar vocês de que tudo aquilo que sentem e pensam é mais relevante do que aquilo que nós, aqui, sentimos e pensamos?” Imagine! Como explicaríamos essa coisa toda para eles? Mais uma vez, seríamos obrigados a blasfemar simplesmente para os contentar, ou, melhor, humanamente dizendo, para os acalmar. Haja concentração! (...)
ampliar19/11/2008 19:21Uma idéia melhora o sorriso de todo o mundoSão Paulo - Atrás de pequenos passos que, em uma caminhada coletiva, podem ajudar a mudar simples e complicadas questões que implicam na falta de qualidade de vida da população mundial, a Seven (Social Equity Venture Fund) realiza o Cinema Prospérité. A competição convoca cineastas de todo o mundo, sejam profissionais, estudantes ou amadores, a descobrirem a história interessante de um empreendedor social e contá-la para o mundo por meio de um documentário curta-metragem, contendo de dois a cinco minutos de duração. Entre os 68 trabalhos disponíveis para votação, destaca-se o brasileiro Dentista do bem, dirigido por Sergio Glasberg e Mika Lins, com produção da Cia. de Cinema. O documentário mostra, em cinco minutos, a história de Fábio Bibancos, dentista e fundador da ONG Turma do Bem, que mobiliza mais de quatro mil profissionais voluntários no Brasil e em outros países, como Argentina, Venezuela e Portugal, cuidando da saúde bucal de crianças e jovens de baixa renda. (...)
ampliar15/08/2008 16:39Glórias, Flor da Terra? Floreando os passos d´água que não se encontram em poças volumosas, arquei diante de um velho guerreiro, absolutamente translúcido, com longos fios brancos de cabelo e barba a lhe cobrir músculos altaneiros. – Senhor das Águas, o que posso fazer para levar bênçãos às minhas terras? – Corpo e luz unidos como uma rosa na cruz... É de lá que tu vens? – Sim. Venho da terra onde flores nascem com espinhos, mas exalam perfume. Tendo cuidado, podemos ficar somente com a beleza que a semente desabrochada nos dá. – As águas de lá não são como as de cá, Flor da Terra. Pedes bênçãos ao Senhor das Águas sem nem mesmo conheceres os sabores santificados que lhes seriam permitido sob conceição subverter. (...)
ampliar10/11/2008 17:00Obama, gira o mundo pra chave girar na fechadura!– E aí, Cachaça, tudo enriba?
– Tudo rodando...
– Viu a Pinga por aí?
– Vi não.
– E a Vodka?
– Xiii... essa aí tá sumida da praça faz tempo...
– Safa, não te disse. O dólar sobe, ela desaparece.
– É...
– E aí cê ta pegando o quê?
– Aqui... nada. Tô levando.
– Que marmota, hein, cara?!
– Marmota, maremoto, marasmo... tô rodando...
– Sai dessa vida, Cachaça, que dessa vida nada se leva...
– É... No copo ainda vai, mas no garfo... nada de nada.
– Pô, cara, tá sem comer de novo? Assim o corpo cai... e o copo também.
– Que nada... cai nada...
– Tô te falando... até o vento leva...
– É... mas não anda ventando mais por aqui, não.
– Pô, Cachaça, tô ficando com dó. Qué uma loirinha? Tava escondida no saco pra mais tarde... Mas tu é brother... Pode matar.
– Pô, cara, ganhei o dia. Eu tava mesmo morrendo de saudade de uma Brahma, oba! É da Antarctica, daquela bem gelada? Ou é uma Skol, pra dia de sol?
– Cachaça, a lata tá sem marca, cê acredita? Rodou tanto, de mão em mão, pra ajudar a tirar os amigos da depressão, que não dá mais pra enxergar o que tava escrito?
– Hahahahahaha... Mané, só você pra me fazer rir mesmo sem vontade de abrir a boca...
ampliar05/11/2008 17:16Tadeu Jungle recruta jovens profissionais para registrar os bastidores de seu primeiro filmeSão Paulo - Tadeu Jungle, diretor de cinema publicitário e sócio da Margarida Flores & Filmes e da Academia de Filmes, prepara-se para rodar seu primeiro longa-metragem de ficção, a comédia dramática Amanhã nunca mais. Estrelado pelo ator Lázaro Ramos, o filme narra a história de Walter, médico-anestesista acostumado a uma cansativa rotina de trabalho em três hospitais de São Paulo. A vida do personagem dá uma reviravolta no dia de seu aniversário, ao encarar um acontecimento inesperado enquanto percorre o caminho de volta para casa. Além da produção do longa, o profissional anuncia o lançamento do Fazenda Cinema, projeto sócio-educativo-cultural cujo principal objetivo é proporcionar a jovens estudantes a oportunidade de aprender a fazer cinema na prática. . (...)
ampliar01/11/2008 00:17Raladas poéticas numa noite de HalloweenPor hoje chega, hein?
Opa, Halloween! Vamos ralar...
Halloween? Uau, você vai poder aterrorizar legal por aí. Ninguém nem vai notar que você é defunto-vivo.
Licença poética, mulher! É... o dia de todo mundo chega. Um dia, ele chega.
Licença poética pra assustar, mané?
Licença poética pra, digamos, sur-pre-en-der...
Leva cachê?
Faço de graça.
Pra quem quiser?
Pra quem merece.
E merece quem?
ampliar24/10/2008 20:23Quando um galo canta...– Cara, acordei com uma vontade de comer pizza? – Acordou? Você nem foi dormir ainda... A gente está aqui desde ontem, ou não? – Nossa, é mesmo. Cochilei na mesa e acordei pensando que tinha dormido. Acho que ando trabalhando muito... Mas a fome é real. – Quem me dera! – Uma pizza quentinha, saindo do forno, de madrugada? – Ter fome. Ter fome de verdade. – Ah, é. Esqueci. Morto não come. – Morto, não. Olha o respeito... – Falo como, então, desencarnado? – Também não gosto. – Tá vendo... a culpa da carência de vocabulário mais carinhoso para com os defuntos não é minha... – Não fala nada, então. Pronto. Coisa chata... – Ai, eu tava brincando. Se você estava aí, por que me deixou cochilar na mesa sonhando que eu estava na cama, hein? – Porque você não estava fazendo nada que prestasse de olho aberto antes de cochilar. Eu vi. E porque as únicas “ferramentas” disponíveis eram o telefone e o som. Mas se eu toco qualquer um deles, você me chama de “fantasma-eletroeletrônico”. Detesto. Detesto quando você me trata como um objeto. (...)